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Agronegócio

Soja atinge menor preço em 11 semanas em Chicago com Petróleo a US$ 103

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Foto: Elevate / Pexels

As cotações da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) recuaram ao menor nível das últimas 11 semanas no início das negociações desta manhã. O movimento consolida uma sequência de baixas motivada pela combinação entre o avanço da colheita na América do Sul e a fraqueza na demanda pontual por exportações norte-americanas, testando o suporte técnico dos contratos de vencimento próximo.

Para o produtor brasileiro, o tombo nas telas internacionais encontra um alívio parcial na dinâmica cambial. Com o dólar negociado a R$ 5,4935, a moeda americana sustentada atua como amortecedor para os preços cotados em reais no interior do país, reduzindo a transmissão integral da queda de Chicago para as praças físicas de Mato Grosso e Paraná.

O que os dados revelam

A deterioração das margens das indústrias processadoras globais e o ritmo acelerado dos trabalhos de campo no Brasil exercem pressão direta sobre a curva futura. A última vez que os contratos de primeiro vencimento negociaram em patamares tão consolidados de baixa foi no final do trimestre anterior, antes da formação dos prêmios de risco climático na América do Sul.

O comportamento dos custos operacionais adiciona complexidade ao quadro. O petróleo WTI cotado a US$ 103,37 eleva os custos de frete marítimo e insumos derivados, comprimindo a margem líquida da originação. Ao mesmo tempo, a demanda chinesa dá sinais de desaceleração pontual para o grão americano, migrando o foco comprador para a safra do Hemisfério Sul, que entra no mercado com volume expressivo.

Impacto por classe de ativo

No mercado de câmbio, o patamar do dólar a R$ 5,49 favorece a receita bruta em reais do exportador que necessita fazer caixa imediato para pagamento de custeio. Contudo, desestimula o travamento de posições mais longas, estagnando as vendas antecipadas da safra futura.

Para as empresas listadas no setor do agronegócio, como processadoras e tradings, a compressão das cotações em Chicago reduz o valor das estoques, mas pode expandir margens de esmagamento caso o preço da matéria-prima caia mais rápido do que o dos subprodutos (farelo e óleo). Na renda fixa, os títulos certificados do agro (CRAs) atrelados a produtores expostos ao preço spot do grão exigem maior monitoramento de risco de crédito.

O que monitorar

O foco das próximas sessões concentra-se no ritmo de fixação das vendas por parte dos agricultores brasileiros. Com a colheita ganhando corpo, a necessidade de caixa determinará a intensidade da pressão vendedora nos portos.

Adicionalmente, os relatórios semanais de embarques dos Estados Unidos indicarão se a queda nos preços em Chicago será suficiente para reativar a demanda internacional. Qualquer oscilação expressiva no petróleo continuará a impactar diretamente as cotações do óleo de soja e o custo logístico global.

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