A deterioração das percepções fiscais voltou a estressar a curva futura de juros antes da abertura da B3. Com a taxa Selic mantida em 13,75% ao ano, os papéis do Tesouro Direto de longo prazo sofrem desvalorização pontual acentuada, provocada pela elevação nos prêmios de risco exigidos pelo mercado doméstico.
Investidores posicionados em títulos NTN-B (Tesouro IPCA+) com vencimentos acima de dez anos observam perdas teóricas que superam 4% no acumulado mensal. Esse movimento reflete a incapacidade do governo em ancorar expectativas de gastos públicas, o que força a inclinação da curva e pune quem precisa de liquidez imediata.
O que os dados revelam
O comportamento dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) sinaliza que o mercado precifica prêmios de risco mais altos na ponta longa. Títulos com vencimento para 2035 e 2045 voltaram a operar com taxas reais elevadas, patamar visto apenas em momentos de forte estresse institucional.
Historicamente, aberturas dessa magnitude no vértice longo da curva antecedem períodos de forte contração na atividade econômica. A insistência em expandir despesas primárias, sem contrapartida clara de receitas sustentáveis, anula o efeito contracionista da taxa básica e empurra a inflação implícita para patamares incompatíveis com as metas oficiais.
Impacto por classe de ativo
Na renda fixa, os títulos prefixados e indexados à inflação sofrem o maior impacto negativo via marcação a mercado. Para quem carrega os papéis até o vencimento, o retorno contratado permanece garantido, mas a volatilidade de curto prazo reduz a margem de manobra para realocações táticas.
No câmbio, o dólar comercial Cotado a R$ 5,34 reflete a saída de capital estrangeiro da ponta longa da curva, diminuindo a atratividade do carry trade. No mercado acionário, empresas de capital intensivo e alto endividamento — como varejo e construção civil — lideram as perdas projetadas, prejudicadas pelo custo de capital persistentemente elevado.
O que monitorar
Para ajustar as posições nos próximos dias, três fatores exigem atenção imediata:
- O leilão de títulos públicos do Tesouro Nacional, que medirá o apetite dos grandes DIs por papéis prefixados.
- A tramitação de pautas fiscais no Congresso Nacional e eventuais desidratações nas medidas de arrecadação.
- Os relatórios de inflação projetada do Banco Central antes da próxima reunião do Copom.
