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Política Econômica

Risco previdenciário inclina curva de juros e pressiona Selic a 13,75%

AnalystIA
Aerial shot of machinery operating in sandy dunes, showcasing industrial sand extraction with striking patterns.
Foto: Pok Rie / Pexels

A deterioração das projeções atuariais do sistema previdenciário voltou ao centro do debate fiscal, empurrando os prêmios de risco dos títulos públicos de longo prazo para os maiores níveis do ano. Com a taxa Selic mantida em 13,75% ao ano, a precificação dos ativos indica que o déficit estrutural das contas públicas exigirá juros elevados por um período prolongado para conter a desancoragem da inflação.

O estresse se reflete diretamente no Tesouro Direto, onde as taxas reais das NTN-B ultrapassam patamares históricos de sustentabilidade. A dúvida sobre a capacidade do Tesouro de conter a expansão dos gastos obrigatórios — impulsionada pelo indexador do salário mínimo sobre os benefícios previdenciários — provoca forte inclinação na curva de juros e pressiona o dólar hoje cotado a R$ 5,33, refletindo a cautela do capital estrangeiro.

O que os dados revelam

A dinâmica recente mostra que as revisões ascendentes no déficit do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) funcionam como o principal vetor de prêmio na curva DI. Sempre que as estimativas fiscais deterioram, os vértices de 5 e 10 anos reagem com altas imediatas de 25 a 40 pontos-base, invalidando fechamentos pontuais motivados pelo cenário externo.

Este movimento indica que a política monetária atinge o seu limite de eficácia na contenção de expectativas sem uma contrapartida fiscal equivalente. A manutenção do juro básico no patamar contracionista de 13,75% busca compensar o afrouxamento fiscal implícito na rigidez orçamentária. A última vez que os juros longos negociaram com prêmio semelhante sem um choque externo de liquidez foi durante a crise fiscal de 2015-2016, confirmando o caráter puramente doméstico da deterioração atual.

Impacto por classe de ativo

Renda Fixa: Os títulos atrelados à inflação com vencimentos longos (NTN-B 2035 e 2045) pagam taxas atrativas no carrego, mas oferecem elevado risco de marcação a mercado no curto prazo. A ponta curta da curva e papéis pós-fixados continuam sendo o melhor porto seguro para capturar o rendimento da Selic sem expor o capital à volatilidade fiscal.

Renda Variável: Na B3 hoje, as empresas dependentes do crédito doméstico e com alto endividamento — como varejo, construção civil e companhias de bens de capital — sofrem desvalorização direta pelo elevado custo de capital. Setores exportadores e geradores de caixa em dólar amortecem a pressão no índice geral.

Câmbio: O Real permanece pressionado. Embora o diferencial de juros beneficie o carry trade, o risco atuarial de longo prazo impõe um teto para a apreciação da moeda brasileira, consolidando um suporte técnico relevante na faixa de R$ 5,30 a R$ 5,35.

O que monitorar

Primeiro, a divulgação do Relatório Bimensal de Avaliação de Receitas e Despesas do governo federal, que trará o ajuste contingencial das despesas obrigatórias. Segundo, o leilão do Tesouro Nacional de NTN-B e LTN nas próximas sessões, que testará a disposição dos investidores institucionais em absorver dívida longa. Por fim, a sinalização do Banco Central na próxima ata do Copom referente à estimativa da taxa neutra de juros para a economia.

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