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Mercados e Bolsa

Inadimplência de 8,09% na PF ameaça bancos e desafia alta do Ibovespa agora

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Foto: Joel Gomes / Pexels

A deterioração da carteira de crédito para pessoa física atingiu um ponto crítico nesta abertura de mercado. Com a inadimplência saltando para 8,09%, o custo de carregamento das dívidas das famílias atinge o nível mais alarmante dos últimos ciclos, impondo um freio direto à tese de recuperação do consumo doméstico.

O dado contrasta com a tentativa de sustentação do Ibovespa agora nos 165.529 pontos. Enquanto o índice acionário tenta ignorar os ruídos locais, o estresse no crédito bancário mostra que a economia real opera no limite, esmagada pela taxa Selic mantida em 13,75% ao ano.

O que os dados revelam

A taxa de 8,09% na inadimplência da pessoa física reflete diretamente o impacto defasado da política monetária contracionista. O comprometimento de renda atingiu patamares que forçam as famílias a escolher quais contas honrar, escalando os atrasos primeiro no cartão de crédito e no cheque especial, para agora atingir modalidades de crédito pessoal consolidado.

A última vez em que o indicador frequentou estes patamares, as instituições financeiras foram obrigadas a promover uma varredura nas provisões contra devedores duvidosos (PDD). O movimento atual indica que o provisionamento adicional drenará o lucro líquido dos grandes bancos no próximo balanço, afetando diretamente as distribuições de dividendos.

Impacto por classe de ativo

No mercado de renda variável, o setor financeiro e o varejo sofrem o golpe de maneira dissimétrica. Bancos com maior exposição ao varejo de baixa renda enfrentam revisões para baixo em suas projeções de rentabilidade (ROE). As varejistas, por sua vez, encaram um cenário duplo de repasse de preços inviável e escassez de concessão de novo crédito ao consumidor final.

Na curva de juros futuros, o dado reforça que o Banco Central não terá espaço para flexibilização monetária sem que haja uma desaceleração ainda mais expressiva da atividade. Os contratos de juros DI negociam com prêmio de risco nas pontas curtas e intermediárias, precificando maior inadimplência sistêmica.

No câmbio, o real perde sustentabilidade, já que a deterioração do crédito interno afasta o investidor estrangeiro focado em fundamentos de longo prazo, reduzindo a eficiência do diferencial de juros na atração de capital produtivo.

O que monitorar

O foco dos investidores se volta para a divulgação dos relatórios de crédito bancário das próximas semanas e os comunicados de provisão das instituições financeiras.

Até a próxima reunião do Copom, o mercado vai calibrar a capacidade de pagamento das famílias contra os índices de inflação de serviços. Caso a concessão de crédito continue desacelerando a este ritmo, a compressão dos lucros corporativos se estenderá além do setor bancário, atingindo diretamente os ativos de risco na B3.

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