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Agronegócio

Gás natural sobe 2% a US$ 3,01 com choque do petróleo WTI a US$ 99

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high rise buildings under blue sky during daytime
Foto: Joel Gomes / Pexels

O gás natural rompeu a barreira técnica de US$ 3,01 por milhão de BTU (MMBtu) na sessão desta manhã, acumulando alta intraday de 2,00%. A valorização reflete um aperto imediato nas perspectivas de estoque e na demanda sazonal, mas encontra combustível extra na disparada das commodities energéticas globais.

O movimento ganha relevância crítica para o agronegócio ao ocorrer simultaneamente à escalada do petróleo WTI, cotado a US$ 99,64 o barril. Essa dobradinha energética altera a estrutura de custos de insumos essenciais antes da consolidação das compras da próxima safra.

O que os dados revelam

A sustentação do gás natural acima do patamar de US$ 3,00 sinaliza o encerramento do período de fraqueza nos preços globais de energia. A última vez em que a commodity sustentou alta contínua com o barril do WTI testando os US$ 100, o repasse para a cadeia industrial ocorreu em menos de três semanas.

Existe uma relação direta de causa e efeito: o gás natural responde por até 70% do custo de produção da amônia anidra, matéria-prima fundamental para os fertilizantes nitrogenados, como a ureia. A alta na CBOT e na Nymex transmite volatilidade imediata às tabelas das misturadoras brasileiras, reduzindo as margens operacionais do produtor que adiou a compra de insumos.

Impacto por classe de ativo

No setor produtivo, as culturas intensivas em nitrogênio, como milho e algodão, sofrem o impacto mais severo. A relação de troca entre o saca de grão e a tonelada de adubo tende a piorar nos próximos dias na B3, exigindo hedges defensivos.

Nas empresas listadas, petroquímicas e fabricantes de fertilizantes passam a operar sob maior pressão de margem bruta. Por outro lado, geradoras térmicas e produtoras de biomassa ganham atratividade, absorvendo parte do fluxo de capital da renda variável.

No câmbio, a alta de energia impõe pressão inflacionária global, sustentando o dólar negociado a R$ 5,4621. O patamar elevado da moeda americana amplia o efeito multiplicador do gás sobre os insumos importados no porto de Paranaguá.

O que monitorar

O mercado exige atenção a três variáveis nas próximas 48 horas:

  1. Relatórios semanais de estocagem de gás natural nos Estados Unidos, que indicarão o tamanho do déficit operacional;
  2. A sustentação do petróleo WTI no suporte dos US$ 98,00;
  3. O repasse nos preços da ureia no mercado físico nos portos brasileiros até o fechamento da semana.
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